Na cama, em posição fetal. Cada lágrima doía como se estivessem send arrancadas dela. Em posição fetal, porque a dor física ameniza a dor interna. E abraçando-se poderia se sentir protegida, com todo aquele aperto ao redor das pernas. Chorando, porque tinha medo. Medo de ter mais saudades, e essas não serem curadas nunca. O lençol molhou, o colchão também, e logo o chão do quarto começou a encher. Encher das lágrimas salgadas que eram extraídas uma a uma à força dos olhos da menina. Então a água chegou à altura do seu rosto. Se continuasse a chorar, provavelmente se afogaria naquela enchente de tristeza. Foi aí que chorou com mais intensidade ainda, não se sabe se num instinto suicida de que depois da morte tudo se resolveria, ou se num desespero repentino. Tudo que se sabe é que o mar, até hoje, não parou de encher.
12/07
kdo botao de like
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