sábado, 25 de dezembro de 2010

Espera.

O relógio tiquetaqueia na parede, e um sentimento de urgência, uma ansiedade me tomam. Minhas mãos parecem vazias demais, e minhas narinas, que sentem teu cheiro até mesmo quando tapadas, parecem insensíveis na ausência dele. Imagens de você me enchem o pensamento, e minha ansiedade, o meu desejo, toda essa vontade de você só faz crescer. Me levanto, na esperança de encontrar algo pra fazer, de forma que o tempo pareça passar mais rápido, mas descubro que desaprendi a andar. Não lembro como fazer com as pernas pra me locomover. Caio de volta no sofá, a ansiedade quase rasgando minhas entranhas. O celular toca, e seu nome pisca no visor. A alegria explode no meu peito. "Tô chegando." "Vou descer." De repente, reaprendo a andar. É fácil até. Um pé na frente do outro, e já estou na frente de casa, observando seu sorriso se aproximar, enquanto o meu luta com os músculos do meu rosto pra crescer indefinidamente. O teu cheiro toma o ar e preenche meus pulmões, como um sopro de vida. Teus olhos também sorriem, conversando com os meus. Teus lábios. Ah, teus lábios.
Aí então, o meu coração explode.
Que sentimento engraçado, esse que chamam de paixão.

O circo.

parecia idiota por não ter percebido antes.. ela iria fugir com o circo, era óbvio! já a via lá no alto, de cabeça pra baixo, com seu cabelo comprido enroscando no pano vermelho como seu corpo, parecendo indefesa de tão pequena. Então percebeu que nunca mais a veria, mas o incômodo que sentiu passou assim que teve a certeza de que ela estaria feliz. talvez se envolvesse com uma contorcionista e acabasse com o coração mais uma vez despedaçado, mas isso não a faria triste por muito tempo, pois ela teria o circo. o circo seria tudo, aquilo que a faria fugir de tudo e de todos, como ela sempre desejou. seria como os marinheiros, um amor em cada porto. E quando já não tivesse mais idade pra se enrolar no pano vermelho, cuidaria das crianças, seus filhos de outros pais, e os contaria de cada porto, de cada amor. posso até vê-la contando sobre a menina pequena e tímida que de forma involuntária a conquistara, e de como ela se arrependia de ter deixado tudo chegar tão longe.

parecia certo aquele destino, e logo não via outro futuro para a menina impulsiva do sorriso sincero. sentiu saudades dela, mas aquelas saudades de quem sabe que nunca mais vai deixar de tê-las. estava escrito.

oivoltei

blogspot, você foi abandonado.
pra ser substituído pelo wordpress
mas aí o wordpress virou uma avacalhação
aí eu, como boa filha pródiga, retorno à casa.



Descoberta

Era uma idéia pavorosa. E ele tentava se convencer do impossível, tentava permanecer imune aos homens que passavam por ele. Nunca nem sequer se inaginara com outro homem, era uma ideia muito suja. Bom, talvez tivesse havido uma ou duas vezes. Aquele professor de Espanhol. O menino da sala do lado. Ah não, o namorado da sua irmã! Começou a aceitar o imutável. Era, sempre fora, e provavelmente continuaria a ser. Como explicaria à sua namorada que quando fazia sexo com ela pensava no vizinho? Como encararia seu pai? Ele era único filho homem. E sua irmã se declarara lésbica havia pouco tempo. A culpa era dela, tê-lo feito pensar em suas preferências, enquanto ele poderia estar bem com sua namorada, pra logo depois casar com ela e ter filhos. Nunca teria desconfiado. Ela merecia o destino que tivera, estar morando agora naquele cafofo com a namorada que tinha arrumado e a filha dela, sem nenhum apoio financeiro nem muito menos emocional da família. Ele estava encrencado. Agora sabia o que queria e não podia mais suportar a idéia de permanecer escondido, antes nunca tivesse parado pra pensar.

“Alô, Júlia? Precisamos conversar, posso ir aí na sua casa?”

A irmã estranhou, mas aceitou o convite do irmão que a havia abandonado, assim como a sua família. ele sempre fora seu bebezinho querido.. E sua voz não estava animadora.

A campainha tocou, e ela abriu a porta. Ela não via seu irmão chorar há oito anos, e lá estava ele com o rosto contorcido e as lágrimas escorrendo. Levou-o ao sofá e aninhou-o entre os braços, como a mãe deles nunca mais faria.

Agora eram só eles contra o mundo.