sábado, 25 de dezembro de 2010

O circo.

parecia idiota por não ter percebido antes.. ela iria fugir com o circo, era óbvio! já a via lá no alto, de cabeça pra baixo, com seu cabelo comprido enroscando no pano vermelho como seu corpo, parecendo indefesa de tão pequena. Então percebeu que nunca mais a veria, mas o incômodo que sentiu passou assim que teve a certeza de que ela estaria feliz. talvez se envolvesse com uma contorcionista e acabasse com o coração mais uma vez despedaçado, mas isso não a faria triste por muito tempo, pois ela teria o circo. o circo seria tudo, aquilo que a faria fugir de tudo e de todos, como ela sempre desejou. seria como os marinheiros, um amor em cada porto. E quando já não tivesse mais idade pra se enrolar no pano vermelho, cuidaria das crianças, seus filhos de outros pais, e os contaria de cada porto, de cada amor. posso até vê-la contando sobre a menina pequena e tímida que de forma involuntária a conquistara, e de como ela se arrependia de ter deixado tudo chegar tão longe.

parecia certo aquele destino, e logo não via outro futuro para a menina impulsiva do sorriso sincero. sentiu saudades dela, mas aquelas saudades de quem sabe que nunca mais vai deixar de tê-las. estava escrito.

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