domingo, 31 de julho de 2011

Água Salgada

Na cama, em posição fetal. Cada lágrima doía como se estivessem send arrancadas dela. Em posição fetal, porque a dor física ameniza a dor interna. E abraçando-se poderia se sentir protegida, com todo aquele aperto ao redor das pernas. Chorando, porque tinha medo. Medo de ter mais saudades, e essas não serem curadas nunca. O lençol molhou, o colchão também, e logo o chão do quarto começou a encher. Encher das lágrimas salgadas que eram extraídas uma a uma à força dos olhos da menina. Então a água chegou à altura do seu rosto. Se continuasse a chorar, provavelmente se afogaria naquela enchente de tristeza. Foi aí que chorou com mais intensidade ainda, não se sabe se num instinto suicida de que depois da morte tudo se resolveria, ou se num desespero repentino. Tudo que se sabe é que o mar, até hoje, não parou de encher.




12/07

sexta-feira, 15 de julho de 2011

For Her

Quando eu acordei, o sol não estava brilhando. No lugar dele havia um buraco, parecendo um buraco negro, que sugava todas as nuvens e toda a luz dos postes que antes luminavam a cidade. Não havia lua, e qualquer vela que fosse acesa, qualquer lanterna ligada, era imediatamente engolida pela escuridão daquele círculo negro. só havia uma luz que ainda brilhava. Eram os teus olhos. Uma vez tinham me dito que a luz que havia nos olhos das pessoas era apenas um reflexo. E que assim que a luz fosse embora, os olhos seriam engolidos pela escuridão. Assim era com todas as pessoas que miravam espantadas o seu antigo sol abafar cada centelha. Mas não com você. Teus olhos brilhavam, eram chamas naquela escuridão abafada.
Teus olhos crepitavam na direção dos meus. Era a única coisa que eu conseguia ver, e pareciam a única coisa que já havia existido.
Numa epifania, eu soube que jamais amaria outros olhos que não aqueles.