terça-feira, 26 de abril de 2011

O relógio no seu pulso contava o tempo vagarosamente, enquanto ela esperava. Estava inpaciente, com o olhar acompanhando cada segundo que o ponteiro vermelho marcava com suplício. "Está atrasada. Muito atrasada." Ela detestava atrasos e todas as desculpas que vinham a seguir. Logo o relógio passou a ser acompanhado pelo barulho do salto batendo na madeira, ritmadamente, fazendo assim uma espécie de música da espera, preenchendo todo o silêncio que a fazia pensar. Um sorriso. O primeiro, desde que se declarara pronta. Lembrava de momentos felizes, como o primeiro beijo delas, na frente de uma igreja, para desgosto de todas as beatas e cristãos fervorosos. A primeira vez que se viram, quando uma espécie de corrente elétrica se espalhara. Quando um arrepio percorrera sua espinha ao ouvir a voz meio rouca, meio sedutora rir de sua piada menos inteligente. O momento em que se percebera apaixonada. "O relógio, cadê?!" Esquecera-se de contar o tempo ao se perder entre as lembranças. "Extremamente atrasada agora." Ela pensou com um certo desprezo. Então chegou. Não ela, mas uma carta, que passada por debaixo da porta, atraíra sua atenção. Na carta, apenas duas palavras "Casa comigo?" Abriu a porta e ela estava lá, linda, seu menininho de cabelo comprido, sorrindo como uma boba ao fitar a mulher que amava.
"Claro que sim, bobinha."

Dez/2009

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